A MULHER DE CÉSAR | Agreste Violento

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Rádios e Parceiros

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

“E o povo já pergunta com maldade:  onde está a honestidade? Onde está a honestidade?” Para àquele do “tríplex do Guarujá e do Sítio em Atibaia e cujo dinheiro nasceu de repente sem nenhuma herança”. Do grande cantor e compositor de Samba Noel Rosa, o poeta da Vila. Será sempre bem-vinda e oportuna a fiscalização das instituições constituídas e de alguns senhores falantes. Melhor ainda quando feita diretamente pelo povo, ele que mais padece pelo vício secular nelas enraizado, tornando-as podre. Por aqui, vereadores foram presos suspeitos de exigir vantagens indevidas para votar projetos. O grupo dividiria entre si R$ 2 milhões. A faceta cômica do episódio foi ouvir o senhor causídico e sua máxima: “A prisão preventiva é um caráter excepcional, quando uma pessoa coloca em risco a sociedade, quando é um criminoso”. Que piada!

Pergunto-me por que (depois dessa) ainda não prenderam o Papa Francisco. Ele é que deve ser um risco e um criminoso. Ora. A quadrilha da vereança é mais perigosa do que às que fazem assaltos a bancos, que ao menos não são dissimuladas. E tem mais: a caminho da carceragem — sem pudor algum e como se fossem celebridades —, seus integrantes, em risos, ainda acenavam e pousavam para as câmaras num completo descaramento ao cidadão eleitor. É a quadrilha do PT encabeçada por José Dirceu fazendo escola. Abrindo um parêntese. Quem não se lembra desse picareta com seus punhos cerrados a caminho da carceragem quando condenado no mensalão. Ele fazia parecer ser vítima da “opressão e do destino”. Gesto que simboliza a luta socialista? Uma ova! É próprio desse partido de larápios a crença de que um “erro pequeno” (desvio de bilhões) seria justificado pelo bem maior, se referindo ao projeto de poder para o país. Que bem maior? O desemprego e a recessão, a inflação e a quebradeira, a desesperança enfim. Perdido no campo jurídico. Embate no campo político. Mobilização de sua militância de alienados e seus simpatizantes domesticados. Desonestidade: DNA do PT. Voltando ao que me trouxe aqui, vez por outra é muito bom ter aulinhas de direito (da prisão preventiva supra). O cidadão inculto agradece. Ainda bem que existem a figura de um juiz, de um promotor e de um delegado atuando em favor dos “sem conhecimento de causa”. Uma ministra do STJ (há pouco) deu uma sentença favorecendo um denunciado por estupro de vulnerável. Diversos segmentos sociais caíram em cima dela. Disse a ministra (em seu despacho) que o objeto da tutela — virgindade e pureza e santa inocência — já não mais existia. Era uma sapeca e de há muito tempo vivia dando em um posto de gasolina. Se alguém “roubo-lhe tudo aquilo”, não fora o cliente em questão. O presidente do mesmo órgão da ministra concordou com sua companheira dizendo que o juiz não faz a lei, mas a aplica levando em conta todo um contexto e não apenas o seu aspecto formal. Todo um contexto, senhor causídico. Seus amigos soltos e por certo continuariam nessa prática delitiva horrenda: estupro social. Milhões de cidadãos (aqui sim) íntegros e puros e inocentes como vítimas. A pior violência é aquela que suscita outras. Existem bandidos que o são mais do que outros. Legislativos vis e perniciosos é o que não faltam pelo país afora. Melhor nenhum a um desmoralizado.

Nem sempre alcançado. No Brasil são tantos recursos permitidos que o julgamento definitivo de um Luiz Inácio Lula da Silva (leia-se corrupto) pode levar anos. Cai em descrença a Justiça desacreditando o cidadão. Rui Barbosa dizia que “justiça tardia é injustiça”. Apelação e agravo, embargos disso e daquilo, além de recursos variados, tudo se presta ao interesse dos atuantes à margem da lei no processo civil. Do lado criminal, até que se chegue a “coisa julgada” há uma infinidade de benesses em favor dos “homens de fachada” como diria Nietzsche. A imediatez dos interesses próprios em detrimento do coletivo como visto na causa dos vereadores citados. De fachada todos somos. Aos quais me refiro o são em demasia. Um sujeito roubar milhões e condenado (1ª instância) poder apelar em liberdade, é como se o trio — delegado/promotor e o juiz (jurado) — agisse em conspiração. Apelar (sim), mas preso. Seus advogados que corressem. Antes que os doutos me falem do Trânsito Em Julgado Da Sentença Penal Condenatória, asnice tamanha seria resolvida facilmente excluindo-A da constituição. Até por que os únicos alcançados por esse instituto são os endinheirados. Ou não? Justiça presente e célere. O cidadão ocupante de cargo público e de cargo eletivo devem exercê-lo com dignidade e respeito. Corporativismo e cumplicidade. Omissão e covardia. Nem todo mau cheiro pode ser materializado. Surgindo, que sejam colocados de prontidão a justiça e outros órgãos de correição. Povo em alerta. Justiça, ainda que tardia.

A mulher de César. Uma grande lição. Era para ser assim:  todo homem público deveria passar pelo crivo de César. Havia suspeita de que sua mulher estava o traindo. Nada foi provado, mas César (o grande general romano) a repudiou. Perguntado o porquê de sua atitude contraditória (repudiando-a sem prova), disse ele que como era uma figura pública e de grande notoriedade, não lhe ficava bem certos comentários. Não bastava sua mulher ser honesta. Tinha também de parecer. Homem público: não basta ser honesto. Tem de parecer O ser.

José Maria

 

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