NÁUTICO | Agreste Violento

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

jose maria agresteviolento.com.brO time broxão. Não! Não! Não! De novo, não! Quando se pensava que seu torcedor sairia do jejum — é hoje —, e eis que, mais uma vez, o time broxa. Um jogo por demais já conhecido/vencido, o do Náutico. Tenta e tenta. Remando e morrendo. O time parece ter se resumido a isto: remar e somente. O alvirrubro (aflito) mergulha em si mesmo e cai em conflito. Duro aguentar as puxadas dos tricolores e rubro-negros:

— Mulher de malandro!
— Sai dessa, Barbie!

Time de alma pequena. Bastaria ter vencido o Oeste e estaria na elite do futebol nacional. Mas, tem perdido a direção do rumo e faz tempo. Sem norte. Tudo conspirava para que voltasse à Série “A” do brasileirão. Jogava em casa com o incentivo de 25 mil torcedores. O adversário quase rebaixado, condição que não lhe dava prestígio algum, “caindo pelas tabelas e sua aflição” como diz Chico Buarque. Além do Oeste, havia pelo caminho o Vasco e o Bahia, as pedras do poeta Carlos Drummond. Para surpresa do mundo (ou não), foi em si próprio que o Náutico tropeçou. Nau-fragou. Festa dos baianos. A massa alvirrubra é pura revolta. Invasão de campo com xingamentos foram as vozes da ribalta. Digno de registro é o desabafo de um alvirrubro:

— Porra! É um time que não dar alegria de nada! Tenho uma menina de 11 anos e nunca viu alegria de nada! É só sofrimento! Eu quero virar tricolor! Cansei de sofrer!
Um repórter pergunta por que resolvera torcer pelo time hoje odiado.
— Eu fui na onda de meu pai! Até hoje eu me arrependo!
Revolta e revolta. Ele ateia fogo à camisa do Náutico. Veste a camisa tricolor.
De um amigo:
— Esse time é um chute nos testículos.

50 Tons de Cinza. 50 tons de roxo de Fernando Veríssimo. Se o senhor Grey (e suas cinzas/sombras) encantava a ‘inocente’ Ana pela beleza e (mais ainda) pelo dinheiro (fim último de todas elas), a encantava também o gosto dele por fetiches. Sadismo. Tem sido essa a relação do Náutico para com o seu torcedor. O time pisa. Humilha. Faz sofrer. Veríssimo e sua pesquisa “os efeitos do chicote na pele feminina”: — Cada pele fica um tom de roxo diferente. Não existe dois hematomas iguais. As chicotadas levadas pelo Náutico têm produzido na pele do seu torcedor desiguais tons (reações). Torcedor símbolo, “Mister N” nao vai mais pintar o rosto de vermelho e branco. É roxo. A cor da pancada. Outro disse que dia de futebol e vai ficar em casa. Um que vai com a camisa do adversário. Tons de branco e vermelho.

A perda da classificação para o Oeste foi mais um sinal de que o time ‘na hora h’ se revela possuído de impotência. Pernambucano de 2016: vinha numa ereção que dava inveja a adolescente de 18 anos. Na hora do “vamos ver, timbu!” quem gozou mesmo foi o Santinha. 2015: passivo do Salgueiro. O Carcará gozou e gozou em cima dele. Deu-lhe 3 pelo nordestão e 4 pelo estadual. 2014: gozo do Leão. 2005 a 2016: pode ser definido como o período de abstinência involuntária do Náutico. Sua andropausa. “Minha menina de 11 anos e alegria de nada.” O Náutico é a cara da derrota. Dentre tantas/todas, uma entrou para os (ou nos) anais do clube. 26 de novembro de 2005. Campo dos Aflitos (apropriado). Náutico 0 X 1 Grêmio. Detalhe: o time gaúcho jogando com sete jogadores. Sim. Sete. Campeão da Série B. A partida originou um livro: “71 Segundos — O Jogo de Uma Vida”. Gerou um documentário: “Inacreditável — A Batalha dos Aflitos”. É queimar a camisa e virar tricolor. A “coisa”. Qualquer coisa.

Flamengo ou Fluminense? Há controvérsia sobre a verdadeira paixão do grande dramaturgo Nelson Rodrigues. Respirava futebol. Como homem de duas mulheres, amada e amante, Nelson se dividia entre os dois. “A camisa do Flamengo é tudo. Uma bastilha inexpugnável ante o furor impotente do adversário.” O Náutico pode ser visto aqui como a amante daquele torcedor que lhe queimou a camisa. O clímax de rompimento dessa relação adúltera é dado quando veste o manto verdadeiro. Sai, sai, timbu! Sem prosa, leão! É tricolor!

Virilidade alvirrubra. Teve (sim) seu tempo de magia. “Mandava, desmandava, encantava, fascinava, seduzia”, letra do seu hino. Década de 60 e se consagrou como o garanhão pernambucano. Aí também chegou a cinco semifinais da Copa do Brasil e sendo finalista em uma delas. De 63 a 68 e somente o timbu gozou no estado. Hexa! Que tempos! Hoje, o Náutico somente olha.

Solidarizo-me com os alvirrubros revoltados. Não me olhem com olhares outros. Um artigo e apenas. Meu Santinha? Uma piada neste brasileirão. 38 jogos e perdeu 23. Penúltimo. Levou 69 gols. Que posição na tabela! Mas chegou. 2011. 2012. 2013. 2015. 2016. Nordestão. É nós! (sic) Leão sempre rugindo. Tricolores e rubro-negros ainda que sofrendo, mas gozando. Náutico? Gozado.

José Maria

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